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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Li // Harry Potter and the Cursed Child de J.K. Rowling, John Tiffany, Jack Thorne

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho ‘conversar’ um bocadinho sobre o mais recente livro da saga Harry Potter – Harry Potter and the Cursed Child.

Primeiramente, deixem-me dizer-vos: eu gostei do livro. E acho necessário começar por este esclarecimento por todas as ambiguidades e opiniões divergentes que este livro tem criado. Por isso, sim, eu gostei do livro.
Reconheço-lhe algumas coisinhas menos boas, mas, no geral, foram muito mais as coisas de que gostei do que as que não gostei.

Vamos lá então…



Sobre a estrutura do livro

Dezanove anos depois do lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofalestreia, em Londres, a peça de teatro Harry Potter and the Cursed Child (Harry Potter e a Criança Amaldiçoada). Esta peça foi desenvolvida com base num argumento da J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne, sendo adaptada aos palcos por Jack Thorne.

A estreia ocorreu no dia 30 de Julho de 2016 no Palace Theatre, sendo, o livro homónimo, lançado ao primeiro minuto do dia 31 de Julho, data celebrada por serem os aniversários de J.K. Rowling e de Harry Potter (personagem).

Interessa por isso lembrar que este livro é o roteiro da peça. Não é um romance, não é mais um livro igual aos outros da saga.
Isto importa na medida em que, tratando-se de uma peça de teatro, a ambientação é mais reduzida, as cenas não são tão descritivas, não temos acesso direto aos pensamentos e emoções dos personagens, centrando-se o livro mais no diálogo entre os mesmos e em pequenos apontamentos sobre o enquadramento da cena.
O resto do recheio da peça – como cenário, iluminação, banda sonora, linguagem corporal, figurinos – ficará nas mãos dos encenadores, dos atores ou, neste caso, na nossa imaginação…

Por não estar habituada a ler peças de teatro, confesso que, no início, tive alguma dificuldade em arrancar com a leitura, mas, idas as primeiras páginas, comecei a entrar no ambiente e a leitura fluiu. Li-o numa noite (porque não consegui largar) e senti necessidade de, de imediato, registar as minhas impressões sobre ele.


Sobre a história (enxuto e sem spoilers)

O enredo do livro passa-se dezanove anos depois do fim do sétimo livro – Harry Potter e os Talismãs da Morte – sendo, a primeira cena deste Cursed Child quase uma continuação do epílogo do 7º livro da saga.
A cena na Plataforma 9¾, onde a geração Harry Potter, agora adulta, se despede dos seus filhos que se preparam para entrar em Hogwarts, lembram-se? Exato!

O personagem principal da história é Albus  segundo filho de Harry e Ginny  que, nesta primeira cena se prepara para o seu primeiro ano em Hogwarts, sendo acompanhado por James –  o irmão mais velho, e Rose – a prima, filha de Ron e Hermione.

Logo no início percebemos que, para Albus, o legado de viver sendo um Potter é muito pesado: ele não se identifica com o heroísmo do pai, incomoda-se com os olhares que a família recebe e receia não corresponder às espectativas que nele são depositadas… afinal, ele é um Potter!

Por outro lado, percebemos que Rose, que por ser uma Granger-Weasley, filha da Ministra da Magia (sim, a Hermione é Ministra da Magia) se considera superior aos demais, achando que pode e que deve escolher bem os amigos, não se envolvendo com qualquer um. Confesso que achei a sua postura um pouco arrogante e um pouco snob, mas tudo bem…

Já no Hogwarts Express, os primos conhecem, enquanto procuram compartimento, Scorpius Malfoy, filho de Draco. Embora Rose não se queira ligar ele, o jovem revela-se simpático e Albus acaba por passar a viagem com ele. No decorrer desta cena, é-nos contado que Scorpius, por ser vítima de um determinado boato, se sente um pouco marginalizado e que, também ele, se sente desconfortável com o peso da sua herança familiar. Isto faz com que os dois jovens se identifiquem e logo aí nasça uma sincera amizade.

Os primeiros anos passam em poucas cenas e ficamos a saber que Albus é selecionado para os Slytherin. Além disso, percebemos que Albus não tem particular talento para o Quidditch, nem para nenhuma matéria em concreto, o que aumenta a sua sensação de estranheza em relação à família.

Os anos vão passando e avançamos até um ponto em que, ouvindo uma conversa, em casa, Albus descobre uma espécie de injustiça cometida na juventude do seu pai e resolve, com a ajuda de Scorpius, resolver a situação.

Acompanhamos assim a história destes dois adolescentes, numa tentativa de provar aos pais (e a si mesmos) que também são capazes de grandes feitos.

 E a partir daqui contém spoilers! 

Mais sobre a história

Resumidamente, o que Albus e Scorpius resolvem fazer, é voltar no tempo e salvar Cedric Diggory, morto por Voldemort durante o Torneio dos Três Feiticeiros, ocorrido no 4º ano de Harry em Hogwarts.
Esta decisão decorre de uma conversa que Albus ouve entre Harry e Amos Diggory – o pai de Cedric – em que relembram como a morte do mesmo foi desnecessária.

Sabendo que, recentemente, o Ministério da Magia apreendeu um vira-tempo ilegal, Albus sente que esta é a sua oportunidade de fazer algo bom e provar ao pai a sua bravura.

Para conseguir executar esse plano, Albus e Scorpius contam com a ajuda de Delphi, uma jovem adulta, que se apresenta como sobrinha de Amos e que quer, no que lhe for possível, ajudá-los a salvar o primo.

Os jovens lá conseguem, de alguma forma, roubar o vira-tempo do Ministério da Magia e é interessante acompanhar esta aventura, especialmente os efeitos provocados pelas alterações no passado.

Quem está acostumado a filmes ou livros com viagens no tempo sabe que, a mais pequena interferência no passado pode alterar significativamente o futuro e por isso, sem aprofundar muito as voltas que são dadas, num determinado momento, e depois de meterem os pés pelas mãos, os jovens deparam-se com alterações tão significativas no rumo da história que percebem que a única solução possível é cancelar todas as suas ações e interferências no passado.
Para isso, contam com a ajuda de Hermione e Ron que, numa realidade paralela onde as trevas imperam, vivem refugiados, contando apenas com a ajuda de… Snape.

Quando regressam ao tempo presente, tendo anulado todas as interferências no tempo, os amigos contam a Delphie que, numa tentativa de salvar Diggory, este acabou por se tornar devorador da morte e, devido a uma cadeia de eventos daí decorrente, Voldemort acaba por vencer a Batalha de Hogwarts, matando Harry (e inviabilizando, desta maneira, a existência do próprio Albus).

A partir desse momento, e sabendo dessa possibilidade, Delphie insiste para, a qualquer custo, regressarem ao passado e ativar essa cadeia de eventos. Perante um Albus e um Scorpius estupefactos, a verdadeira identidade de Delphie é-nos revelada, bem como quais as suas motivações para trazer de volta o Senhor das Trevas.

Resta agora saber se os amigos vão conseguir evitar este problema…

Reflexões e Considerações finais

Para quem já leu o livro (ou para quem não tem medo de spoilers) este último aspeto – da identidade da Delphie que se revela, afinal, filha de Voldemort –  foi o ponto da história que eu achei mais desnecessário… Para mi, bastava a Delphie ser uma personagem má e pronto! Não havia necessidade de criar-lhe um passado todo rocambolesco que, a meu ver, nem é completamente credível.
Ok, percebo a perspetiva que, de certo modo, um filho é uma forma de imortalidade e que faria sentido Voldemort assegurar a sua linhagem, mas, ainda assim, acho difícil imaginar o seu envolvimento com Bellatrix (que na história, é a mãe de Delphi).

Para mim, a história das voltas no tempo, das implicações que isso traz e da forma como conseguiram corrigir o passado, seria o suficiente para uma grande história. Fizeram asneira, conseguiram 'salvar o dia' e aprenderam a lição, ponto.

O que é que vocês acham sobre isso?

Outro ponto que me fez refletir, foi a relação de amizade de Albus e Scorpius. Fui só eu que achei que, a determinado ponto, esta se iria revelar mais do que uma amizade?

Lembro-me de, há alguns anos, se falar da J. K. ter revelado que Dumbledore seria homossexual, mas a verdade é que esse tema nunca foi transposto para os livros (ou para os filmes…). Sendo um tema bastante atual, achei que, nesta peça, poderia ser um tema a abordar, principalmente depois de, com a leitura, nos ser lembrado o tempo todo que cada um é a pessoa mais importante para o outro (com direito a um Always, e tudo!) e, a dado momento, perceberem-se alguns contornos mais românticos na amizade dos dois adolescentes. Refiro-me, por exemplo, ao momento em que, depois de serem proibidos de se ver, os jovens se encontram numa escada a ficam a contemplar-se…

O que me chateou não foi exatamente o facto desse tema não ser abordado, ok, mas sim o facto de, no final, percebermos que afinal o Scorpius tem uma quedinha pela Rose. What? Como assim? Ela quase não aparece ao longo da peça, na cena em que aparece... é maldosa com ele, mas afinal o Scorpius gosta dela… achei muito clichézinho de comédia romântica, muito uma tentativa de juntar os pares óbvios, mas (mais uma vez!) tudo bem.

A meu ver, neste ponto teria sido preferível não fazer menção a crush nenhuma e deixar a questão em aberto para que do leitor (e o público) pudesse interpretar livremente o relacionamento dos dois.

O que eu mais gostei

Pontos positivos.. gostei muito de ver o desenvolvimento dos adultos da história, e de nos ser mostrado que, mesmo sendo feiticeiros poderosíssimos, e mesmo tendo vivido um ‘felizes para sempre’ a vida continua e os problemas do dia-a-dia são iguais aos de qualquer outra pessoa.
Um exemplo disso é a relação difícil que Harry tem com o filho Albus e a forma como ele assume que, por não ter tido um pai, tem dificuldade em lidar com esse papel. Achei o tema muito real e que humanizou mais os personagens.

Também gostei muito de ver, por outro lado, como mesmo depois de adultos, alguns traços dos personagens se mantiveram. Ron e Draco, com as suas saídas irónicas e cómicas, foram os meus favoritos, embora tenha ficado muito surpreendida com o desenvolvimento de Ginny. Tornou-se uma mulher muito madura, responsável, com bastante jogo de cintura para lidar com a relação do marido com o filho, sabendo bem quando deve ou não interferir.

A cena ocorrida no segundo universo paralelo, em que Ron e Hermione, com o apoio de Snape ajudam Scorpius a resolver o problema da alteração no tempo foi, para mim, das mais comoventes e vai despertar, sem dúvida, muita nostalgia nos fans da série.

Por outro lado, gostei também do facto de, por muitas voltas que a história dê, Neville Longbottom continuar a ser fundamental para a salvação do mundo bruxo.

Outro ponto de que gostei muito, foi de conhecer um pouco mais da relação de Draco com Astoria. Que história triste, mas que história bonita. Apesar da personagem Astoria não ser muito desenvolvida, acredito que seria alguém que todos gostaríamos de conhecer um pouco melhor.

O que eu menos gostei

Como já referi não gostei essencialmente da trama criada em torno da personagem da Delphie – que achei desnecessária – mas houve, além disso, outros aspetos que me incomodaram um bocadinho.

Por exemplo, quem é afinal a cursed child? A Delphie? Ela já não é propriamente uma child e, além disso, ela não foi necessariamente amaldiçoada. Ou foi? Fala-se, na história, de uma profecia, mas não de uma maldição…
Esclareçam-me, por favor, se eu deixei passar alguma coisa em relação a isto..

Ainda neste campo das reclamações: o que é um ninho com asas tem a ver com a história? Eu sei que são detalhes, mas fiquei a pensar nisso e não cheguei a conclusão nenhuma.


Em suma…
De modo geral gostei muito do livro e acho a premissa das viagens no tempo muito interessante. Gostei da ideia dos dois jovens 'excluídos' tentarem algo tão ousado para demonstrar o seu valor e de ver as repercussões que os seus actos teriam.

Acho que para quem é fan da saga, esta é uma oportunidade única de voltar a ler um Harry Potter inédito… ‘pela primeira vez’! Independentemente do formato da obra, a mão da autora está lá, a essência dos principais personagens está lá e acho muito positivo, ao fim de tantos anos, poder regressar a este universo.

Espero que tenham gostado!
Um grande beijinho e até à próxima!

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NOTA A minha edição é a britânica e adquiri-a aqui.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Lendo Guerra e Paz #8 // Tomo II – 5ª Parte

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho continuar o meu diário de leitura de Guerra e Paz, desta vez em relação à 5ª (e última) parte do 2º Tomo.

Apesar de curtinha, esta é novamente uma parte cheia de reviravoltas ou, como se diz hoje em dia, plot twists.

Vamos lá?

No inicio desta 5ª parte encontramo-nos com Pierre que, após a notícia do noivado de Natacha e da morte de Iossif, se encontra desencantado com o mundo. Nem o casamento, nem a maçonaria conseguem trazer-lhe qualquer alegria.
Pierre retoma por isso velhos hábitos, volta a frequentar o clube e a beber, razão pela qual, e para não comprometer a esposa, regressa a Moscovo.

Em Moscovo, Pierre entrega-se ao vinho e à vida libertina, de modo a afogar os sentimentos e questionamentos que o atormentam.

Frequentava todas as sociedades possíveis, bebia muito, comprava quadros, construía, e principalmente lia.
(…) da leitura passava ao sono, e do sono à tagarelice nas salas de visitas e no clube, e da tagarelice à pândega e às mulheres, e da pândega outra vez à tagarelice, à leitura e ao vinho. Beber vinho tornara-se para ele cada vez mais uma necessidade física e ao mesmo tempo moral. (…) Só se sentia inteiramente bem quando, sem ele mesmo notar como, tendo entornado na sua grande boca vários copos de vinho, sentia no corpo um agradável calor, ternura por todos os seus próximos e a disposição mental para responder de modo superficial a qualquer ideia, sem penetrar na sua essência. Só depois de beber uma garrafa ou duas começava a ficar vagamente consciente de que aquele complicado e horrível nó da vida que antes tanto o horrorizava não era tao horrível como lhe parecera.” (p. 577)

Quem nunca precisou de uma ajudinha servida em copo, para enfrentar as agruras desta vida, não é verdade?

No início desse inverno, também o velho príncipe Bolkónski e Maria se dirigem a Moscovo e é-nos dado a saber que a saúde do príncipe se encontra cada vez mais debilitada, notando-se até alguns sinais de senilidade. Aliado a isso, o príncipe apresenta cada vez mais acessos de fúria, descarregando as suas frustrações na pobre princesa Maria.
Desde a ida para Moscovo que Maria se encontra triste e abatida, uma vez que perdeu o contacto com os seus peregrinos que tanta alegria lhe traziam.
Além disso, Maria passa a encontrar-se pessoalmente com Julie, perdendo assim o prazer de lhe escrever. É também com desgosto que Maria percebe que Julie, tendo perdido os dois irmãos, se tornou única herdeira e, portanto, uma das jovens mais cobiçadas na sociedade moscovita, e que, esse reconhecimento, a tornou uma pessoa fútil, com quem Maria não gostava de privar.
A somar aos desgostos de Maria, acresce o facto do velho príncipe, em jeito de piada, referir que se Andrei se pode voltar a casar, também ele o pode fazer e, com isto, aproximar-se de Mademoiselle Bourienne que, não sendo nada burra, decide aproveitar-se da situação e deixar-se 'seduzir' pelo velho.

Chega então o dia de Sao Nicolau, o santo onomástico do velho príncipe que, abrindo uma exceção, resolve dar um almoço para um grupo restrito de convidados, entre os quais se encontram Pierre e Boris Drubetskoi.
Num momento a sós, Pierre alerta Maria que Boris apenas de dirigiu a Moscovo em busca de uma noiva rica, estando nesse momento indeciso entre a cortejar a ela ou a Julie Karáguina.

Passando a ver as coisas na perspetiva de Boris, percebemos que, para ele, Julie seria uma esposa mais 'rentável', no entanto, Boris sente-se algo renitente em fazer o pedido.

… e todos os dias, reletindo consigo mesmo, Boris se dizia que amanha faria o pedido. Mas na presença de Julie, olhando o rosto e o queixo vermelho dela, quase sempre empoado, os olhos húmidos e a expressão no rosto (…), Boris não conseguia proferir a palavra decisiva; apesar de há muito se considerar já em imaginação o dono das propriedades de Penza e Nijni Nóvgorod (o dote de Julie)” (p. 591)

De forma a forçar um pouco a situação, Julie convida Anatole (o irmão de Hélène) para frequentar a sua casa. Preocupado com a possibilidade de perder a sua oportunidade de noivado para Anatole, Boris resolve-se a fazer o pedido, ficando assim noivo de Julie.

Voltamos depois a acompanhar os Rostov (o conde e as meninas) que, chegando a Moscovo, são recebidos em casa de Maria Dmítrievna, a madrinha de Natacha.

No dia seguinte, aconselhados por Maria Dmítrievna, o conde Rostov e Natacha resolvem visitar o velho príncipe Bolkónski, para se apresentarem. O príncipe recusa-se a receber as visitas que, entretanto, são recebidos por Maria. Maria recebe-os com alguma frieza e distanciamento e, de imediato, antipatiza com Natacha, sendo este sentimento reciproco.

Desde o primeiro olhar, a princesa Maria não gostou de Natacha. Achou-a demasiado bem vestida, levianamente alegre e vaidosa.” (p. 595)

Posteriormente acompanhamos os Rostov até uma opera, evento no qual se encontra reunida a nata da sociedade moscovita, entre os quais: Boris com a sua noiva Julie, Anna Mikháilovna (a mãe de Boris), Dólokhov, Pierre, Hélène e o irmão Anatole.

Num intervalo entre actos, Hélène apresenta-se a Natacha, elogiando a sua beleza e dizendo que já muito tinha ouvido falar dela. Nesse momento, convida-a a fazer-lhe companhia no seu camarote, o que Natacha aceita.
Uma vez aí chegadas, Hélène apresenta Anatole a Natacha que, de mediato de sente enfeitiçada pelo seu charme e encanto.

No entanto, ficamos a saber que Anatole pode ser tudo, menos encantador... Vivia em Moscovo por ter sido forçado, pelo seu pai, a abandonar Petersburgo, levando uma vida boémia, repleta de vinho e mulheres. Não perdia uma farra ou um baile e vivia constantemente à custa do dinheiro que pedia 'emprestado' a qualquer um.
Para completar o pacote, ficamos a saber que Anatole se casou, dois anos antes, durante a permanência do regimento na Polónia, tendo depois abandonado a esposa.

Uma vez que não resiste a uma 'rapariguinha', apesar de não estar apaixonado, Anatole resolve cortejar Natacha, para se divertir. Assim pede a Hélène que convide os Rostov para um dos serões em sua casa.
Durante o serão, improvisam um baile e Anatole convida Natacha para dançar. Durante a dança, Anatole não se cansa de elogiar Natacha, dizendo que a ama.
É neste momento que percebemos que Natacha ainda é, afinal, uma jovem ingénua porque, estas palavras de Anatole, são suficientes para a fazer acreditar que também se apaixonou, pondo em causa os seus sentimentos pelo príncipe Andrei.

Posteriormente, Anatole escreve uma carta a Natacha afirmando que não pode viver sem Natacha ("Ser amado por si ou morrer. Não tenho outra saída." p. 618) e que, por razões secretas os Rostov nunca aprovariam a sua união. Assim, propõe-lhe fugirem e viverem esse amor sem impedimentos.

No entanto, Sónia encontra e lê essa carta, confrontando Natacha com a situação e questionando-a se ela já teria pensado sobre quais seriam essas razões secretas. Natacha, completamente cega, expulsa Sónia do quarto e escreve uma nota à princesa Maria (que inicialmente lhe enviara uma carta para tentar iniciar amizade com a futura cunhada) dizendo que não havia mais mal-entendidos entre elas, mas que não poderia ser esposa de Andrei, terminando assim o noivado.

Nos dias seguintes Sónia percebe uma alteração no comportamento de Natacha, concluindo que o dia da fuga se aproximava. Sendo encontrada a chorar por Maria Dmítrievna, Sónia acaba por confessar-lhe o sucedido e a razão da sua preocupação.
Maria de imediato tranca Natacha no quarto, dando ordens aos criados para que deixassem entrar os visitantes, mas quem logo de seguida fechassem os portões para não os deixar sair. No entanto, Anatole e Dólokhov – que ajudava o amigo – apercebem-se de que algo não está bem e conseguem fugir.

Maria Dmítrievna, de modo a justificar a alteração de comportamento de Natacha (que se encontra apática e chorosa) diz ao conde Rostov que a filha se encontra doente.
Entretanto, e sem saber a quem recorrer, Maria Dmítrievna chama Pierre e, pedindo-lhe segredo, informa-o do ocorrido.

Pierre, que até aí evitara Natacha, fica chocado com o sucedido e dá-lhe a conhecer as razões secretas de Anatole, contando-lhe que ele já é casado.

Quando Pierre voltou a Moscovo, entregaram-lhe a carta de Maria Dmítrievna, que o chamava a sua casa por um assunto muito importante relacionado com Andrei Bolkónski e com a noiva deste. Pierre evitava Natacha. Parecia-lhe que tinha por ela um sentimento mais forte do que aquele que um homem casado devia ter pela noiva do seu amigo” (p.632)

Pierre, de ombros levantados e boca aberta, escutava o que Maria Dmítrievna dizia, se acreditar nos seus ouvidos. A noiva do príncipe Andrei tão amada, essa dantes doce Natacha Rostova, trocar Bolkónski pelo estupido Anatole, já casado (…), e apaixonar-se assim de modo a aceitar fugir com ele! – era uma coisa que Pierre não podia compreender nem imaginar.” (p. 633)

Neste contexto, Maria Dmítrievna, com receio que possa ocorrer um duelo, pede a Pierre que afaste o seu cunhado de Moscovo, pedido que prontamente é acedido.

Entretanto Andrei regressa a casa e logo é informado quer do rompimento do noivado, quer dos rumores de circulam em Moscovo, sobre o rapto da jovem Rostova.
Pierre vai visitar o amigo e, para sua surpresa, encontra-o algo animado a conversar com o pai sobre a guerra.
No entanto, num momento a sós, Andrei entrega a Pierre todas as cartas enviadas por Natacha e pede que lhas devolva, pedindo ainda para que não se volte a falar sobre ela.

Pierre acede ao pedido do amigo, dirigindo-se novamente a casa de Maria Dmítrievna e encontra uma Natacha mais emagrecida, triste, que recentemente se tentara envenenar com arsénico.
Esta visão desperta nele um renovado sentimento de ternura pela jovem Rostova e, terminamos este 2º tomo

– Se eu não fosse eu, mas o homem mais bonito, mais inteligente e melhor do mundo, e fosse livre, ajoelhava-me neste instante e pedia-lhe a sua mão e o seu amor.
Natacha, pela primeira vez depois de muitos dias, chorou lagrimas de gratidão e de ternura e, lançando um olhar a Pierre, saiu da sala.” (p. 643)

Concluímos assim este 2º tomo com um Pierre tranquilo e acalentado, uma Natacha destroçada, e um Andrei desiludido.

Parecia a Pierre que aquela estrela correspondia inteiramente ao que havia na sua alma apaziguada e animada, que florescia para uma nova vida” (p. 644)

 
 
E foi isto!
Esta parte termina novamente um pouco em aberto, deixando o rumo da história aberto a todas as possibilidades.

Quem mais já concluiu este segundo tomo do livro? O que estão a achar?
Não se esqueçam de deixar o vosso comentário!
Um grande Beijinho e até à próxima!


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❤ Para os curiosos: Os post it cor-de-rosa correspondem a anotações do 1º Tomo e as amarelas a anotações do 2º

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Lendo Guerra e Paz #7 // Tomo II – 4ª Parte

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos novamente da leitura de Guerra e Paz, desta vez em relação à 4ª parte do 2º Tomo.

Nesta parte, mais curtinha, acompanhamos de perto a família Rostov e a forma como os problemas financeiros da mesma estão, aos poucos, a levar a um clima de tensão.

Vamos lá?

Começamos esta 4ª parte junto de Nikolai Rostov e ficamos a saber que, sucedendo a Deníssov, este comanda um esquadrão do regimento de Pavlogrado. Rostov está satisfeito com a sua vida militar, mas, uma carta da mãe, informando-o do noivado de Natacha, bem como das dificuldades financeiras que a família atravessa, fazem-no regressar a casa.
Neste regresso percebemos que Nikolai não vê com bons olhos o enlace de Bolkónski com a irmã, e que esse sentimento é, em parte, partilhado pela mãe.

Depois de se ocupar da parte financeira da família, Nikolai resolve dedicar-se a alguns dos seus prazeres, organizando uma caça aos lobos, para a qual convida um 'tio' afastado (que na verdade é um vizinho) e na qual Natacha e Pétia insistem em participar.

É interessante notar que a caça é vista como uma atividade de gente crescida e, pelas idades de Natacha e Pétia, a presença deles não é muito bem vista. Sabem aquela sensação de ser autorizado a participar em alguma atividade mas não mexas em nada!? Foi essa sensação que tive ao ler sobre a forma como os 'adultos' olhavam para os jovens irmãos que, para poderem participar, tiveram que prometer que não iriam atrapalhar.

Durante a caçada, Rostov trava conhecimento com outro grupo de cavadores, conhecendo Iláguin, um jovem latifundiário cuja família tem um litígio e um processo em tribunal com os Rostov. Não obstante, Iláguin parece ser cordial e amigável com Nikolai e juntos empreendem a caça a uma lebre.

No final da caçada, os jovens Rostov são convidados a cear em casa do tio-vizinho que, apesar de não ser muito abastado, lhes serve as melhores iguarias. Passam o restante serão felizes, a cantar e tocar balalaica, até que o tio, elogiando Natacha, refere que 'só lhe falta arranjar um marido'. Apesar de se manterem animados durante o serão, este comentário levanta em Natacha um ponta de tristeza por se ver afastada de Andrei.

Entretanto os Rostov, temendo pelo sua situação financeira, ponderam a venda de alguns imóveis. Neste momento percebemos que a Condessa Rostova tem outros planos, arquitetando o casamento de Nikolai com uma jovem afortunada. Com esse propósito, entra em contacto com a Karáguina (mãe de Julie, amiga da Maria Bolkónski, lembram-se?), no sentido de combinar um casamento entre os filhos.

Nikolai, ao perceber as intenções da condessa, e não conseguindo esquecer os sentimentos que tem por Sónia confronta a mãe com a situação.

" –  E se eu amasse uma rapariga sem fortuna, a maman exigia-me que sacrificasse o sentimento e a honra pelo dinheiro?" (p. 554)

Depois desse dia, apesar da condessa não voltar a abordar o assunto, o seu comportamento com Sónia muda drasticamente, passando a trata-la com frieza.

Mais tarde, acompanhamos os Rostov nas festas de Natal, onde Tolstoi nos apresenta alguns dos costumes da época.
Ao 3º dia de festas, antes de dormir, Natacha e Sónia fazem uma brincadeira de tentar ver o futuro através de um espelho. Embora Natacha afirme que nada consegue ver, Sónia inventa que viu Andrei deitado, sorrindo para ela, com 'qualquer coisa azul e vermelha'.
Não percebi muito bem o objetivo de Sónia com este comentário, mas, a verdade é que serviu apenas para deixar a prima angustiada.

Depois das festas, Nikolai reúne-se com os pais, confessando-lhes o seu amor por Sónia e a sua vontade de a desposar. A condessa, informa o filho de que este se pode casar, mas que nunca obterá a sua bênção. Já o conde Rostov, embora inicialmente tente dissuadir o filho de um casamento com uma mulher sem fortuna, acaba por reconhecer que, se não estivessem arruinados (em grande parte por sua culpa), não poderia desejar melhor esposa para o filho.
A condessa, indignada com a situação, manda chamar Sónia, acusando-a de ingratidão e de ser intriguista o que leva Nikolai a ameaçar casar-se em segredo.
Natacha acaba por intervir, pondo 'água na fervura' e fazendo a mãe prometer que não voltaria a oprimir a sobrinha e, por outro lado, fazendo Nikolai prometer que não tomaria nenhuma atitude às escondidas dos pais.

Ainda desentendido com os pais, no início de janeiro, Nikolai regressa ao regimento, firme na sua decisão de voltar e casar-se com Sónia.

Com a partida de Nikolai abateu-se um clima de tristeza em casa dos Rostov, fazendo com que a condessa adoeça.
Além disso, e devido ao agravamento da sua situação financeira, o conde Rostov teve que tomar a decisão de vender algumas propriedades em Moscovo.

"A Condessa ficou na aldeia, e o conde, levando consigo Sónia e Natacha, partiu para Moscovo no fim de janeiro" (p. 573)


E foi isto!
Esta parte termina um pouco em aberto, sem sabermos muito bem o que vai seguir-se com os Rostov daí a diante. No entanto, a sua partida para Moscovo promete uma série de acontecimentos novos... fiquei curiosa, e vocês?

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Um grande Beijinho e até à próxima!


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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Lendo Guerra e Paz #6 // Tomo II – 3ª Parte

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos mais um bocadinho da leitura de Guerra e Paz, desta vez em relação à 3ª parte do 2º Tomo.
Esta parte centra-se mais nas vivências do Príncipe Andrei, e nas mudanças que se operam no mesmo ao perceber-se novamente apaixonado.

Vamos lá?

♥ No início desta 3ª parte encontramo-nos em 1809 e percebemos que as alianças entre os imperadores Russo e Francês se mantêm fortes, ao ponto de se falar de um eventual casamento entre Napoleão e uma das irmãs do imperador Alexandre, estando por isso a viver-se um período de tréguas.

♥ Nesse período, Andrei viveu na sua aldeia em Bogutchárovo, implementando, sem dificuldade, os empreendimentos que Pierre sonhara para as suas herdades: tornou os camponeses servos em agricultores livres, contratou uma parteira experiente e ainda um sacerdote para ensinar os filhos dos camponeses a ler e a escrever.
Quando não se encontrava nas herdades, Andrei passava o tempo livre na companhia do pai e do filho, aproveitando para se inteirar, através da leitura, dos acontecimentos exteriores do mundo.
Além disso, dedicava-se à elaboração de um projeto de alteração dos regulamentos e estatutos militares.

♥ Para resolver umas questões relacionadas com as suas propriedades de Riazan, o príncipe Andrei precisava encontrar-se com o chefe provincial da nobreza, nada menos que o conde Rostov, tendo, para isso, que dirigir-se a sua casa.
Nessa visita, Andrei depara-se pela primeira vez com Natacha, ficando surpreendido pela sua leveza e juventude.

De repente, sem saber porquê, o príncipe Andrei sentiu uma dor. O dia estava tão bonito, o Sol tão luminoso, tudo em redor era tão alegre; e aquela rapariguinha magra e bonita nem queria saber da existência dele e estava contente e feliz com a própria vida…” (p. 454)

♥ Depois desta reunião, Andrei desloca-se a Petersburgo, onde decorrem uma serie de reformas políticas, nomeadamente a criação de decretos que viriam a extinguir os graus da corte, bem como substituir toda a ordem judicial, administrativa e financeira da Rússia.
É neste contexto que Andrei é recebido pelo ministro de guerra – o conde Araktchéiev –  para lhe entregar o memorando, no qual trabalhara, sobre o regulamento militar.
As propostas sugeridas por Andrei não foram aprovadas, no entanto, foi-lhe proposto entrar como membro sem vencimento, no Comité para o Regulamento Militar.

Enquanto espera pela notificação sobre a sua inclusão como membro do Comité, Andrei resolve reatar velhos contactos, em especial com personalidades que sabia poderem ajudá-lo de futuro.
Assim, num serão em casa do Conde Kotchubei, Andrei é apresentando a Speránski, comandante-supremo de uma reforma civil que acontecia em Petersburgo. Speránski mostra-se um homem culto, rico em conhecimentos e influências e que, já tendo ouvido falar de Andrei, promete interceder por ele junto ao presidente da comissão para regulamentação do exército.

Andrei vai-se assim aproximando de Speránski, vendo nele um homem inteligente, sensato, enérgico e perseverante, que utilizava o seu poder apenas para o bem da Rússia.

Fruto da influência de Speránski, a verdade é que, passada uma semana, Andrei não só tinha sido aceite como membro da comissão de elaboração do regulamento Militar, como ainda era chefe da comissão da elaboração de leis, passando a trabalhar no código civil.

♥ Surge aqui uma interrupção as aventuras de Andrei para nos inteirarmos do que se passa com Pierre.
Dominado por um sentimento de melancolia, Pierre recebe uma carta de sua esposa, implorando-lhe um encontro e escrevendo sobre a sua tristeza e o seu desejo de lhe dedicar a vida. Pierre é então recordado, por um dos seus irmãos mações, que uma das primeiras regras da maçonaria consistia em perdoar quem se arrependia.
Movido pela busca do autoaperfeiçoamento, Pierre resolve perdoar Hélène e aceitá-la de novo em sua casa.

♥ Regressámos à família Rostov e ficamos a saber que, mesmo mantendo problemas financeiros, estes resolvem voltar a Petersburgo onde, pouco depois da sua chegada, Berg pede Vera em casamento.
Apesar da família Rostov ficar feliz com o pedido e reconhecerem em Berg um bom pretendente, não podem deixar de se preocupar com o valor que terão que deixar de dote, resolvendo então a questão, deixando a Vera um dote de 20 mil rublos, bem como uma nota de promissória no valor de 80 mil.

♥ Boris resolve também visitar os Rostov, surpreendendo-se com o quanto Natacha cresceu e se tornou bela. No entanto, resolve não se aproximar muito da mesma uma vez que “não devia ceder a esse sentimento, porque casar-se com ela, uma rapariga quase sem fortuna, seria fatal para a sua carreira, e reatar as antigas relações sem o objetivo de casamento seria um comportamento ignóbil” (p. 484)
A condessa, apercebendo-se dessa situação, e temendo pela felicidade da filha, pediu a Boris para que não mais os visitasse.

♥ Avançamos até à véspera do réveillon de 1810, quando decorre um baile, para o qual foi convidada a nata da sociedade Petersburguesa, na qual se incluíam os Rostov.
Nesta parte acontece uma das minhas cenas favoritas em que acompanhamos os preparativos das senhoras para a festa, e a preocupação com os seus vestidos e penteados. Tratava-se do primeiro baile formal de Natacha, motivo pelo qual nenhum pormenor pode ser deixado ao acaso.

Para este baile foram também convidados Pierre e Andrei que, inicialmente, não repara em Natacha. No entanto, após ser chamado à atenção por Pierre, Andrei convida Natacha para a sua primeira dança.

…foi dançar e escolheu Natacha porque Pierre lha indicou, e porque ela foi a primeira das mulheres bonitas em que os seus olhos se detiveram; mas assim que enlaçou aquela cintura fina, flexível, palpitante e ela se movimentou tão próxima dele e sorriu tão perto dele, o vinho do seu encanto subiu-lhe à cabeça” (pp. 495-496)

Durante o baile, Andrei deslumbra-se com a jovem Natacha, ficando novamente surpreendido e encantado com a sua alegria e leveza e dando por si a divagar acerca da mesma:

… ‘Se ela se aproximar primeiro da prima, e depois de outra dama, será minha mulher’ – disse inesperadamente a si mesmo o príncipe Andrei, olhando para ela. Natacha aproximou-se da prima em primeiro lugar.
Que disparates nos vêm por vezes à cabeça! – pensou o príncipe Andrei. – Mas a verdade é que esta rapariga é tao adorável, tao especial, que em menos de um mês de bailes, estará casada’…” (p. 497)

♥ No dia seguinte, Andrei deveria encontrar-se com Speránski para um almoço informal, com outras figuras de relevo da sociedade Petersburguesa. No entanto, no desenrolar do convívio, Andrei começa a reconhecer em Speránski algumas características até aí desconhecidas e a desiludir-se com o mesmo.

"O príncipe Andrei ouvia com espanto e com a tristeza do desapontamento aquele riso e olhava para Speránski. Parecia-lhe que aquele não era Speránski, era outro homem. Tudo aquilo que antes imaginara de misterioso e atraente em Speránski tornou-se-lhe de repete claro e nada atraente" (p. 499)

Depois deste convívio, no qual reflete sobre a inutilidade do seu trabalho, Andrei decide-se a ir visitar os Rostov, voltando a sentir uma estranha sensação de felicidade na presença de Natacha.

"Porque me agito eu, porque me debato neste quarto apertado, fechado, quando a vida, toda a vida, com todas as alegrias, está aberta para mim?" (P. 502)

“ (...) Pierre tem razão ao dizer que é preciso acreditar na possibilidade da felicidade para se ser feliz, e eu agora acredito. Deixemos os mortos enterrarem os mortos, e enquanto estou vivo é preciso viver e ser feliz" (p. 503)

♥ Posteriormente, Berg e Vera resolvem organizar um jantar em sua casa, convidando alguns conhecidos e amigos, de forma a apresentar-se, como casal, em sociedade.
Nesse convívio comparecem Pierre, Andrei e, obviamente, a família de Vera – os Rostov.
Pelas expressões dos amigos, Pierre percebe que algo se passa e, mais tarde, tenta falar a esse respeito com Andrei.
Neste ponto, fiquei confusa com uma questão que Andrei faz a Pierre...

" - Preciso, preciso falar contigo - disse o príncipe Andrei. - Tu sabes, daquelas nossas luvas de mulher (referia-se as luvas maçónicas que se davam a um irmão que acabava de entrar para que as desse à mulher amada). Eu... Mas não, depois falo contigo..." (p. 507)

Afinal Andrei também é mação? Terei andado tão distraída que não dei por ela antes?
Foi então que, para exclarecer esta questão, resolvi assistir ao vídeo da Tatiana Feltrin a propósito desta parte, no qual ela explica (segundo as notas de rodapé da sua edição) que, na versão inicial da obra, Andrei era também era iniciado na Franco-maçonaria, tendo essas cenas sido eliminadas na versão final. No entanto, esta alusão à sua iniciação escapou à revisão do autor, mantendo-se por isso este trecho da obra. Acho este aspeto bastante interessante, embora tenha pena de, na minha edição, não virem este tipo de notas explicativas.

♥ No dia seguinte, a convite do Conde Rostov, Andrei vai almoçar com a família, tornando-se mais evidente a sua aproximação com Natacha. Depois desse convívio, Natacha confessa à mãe algum receio em relação a essa aproximação, principalmente por se tratar de um homem viúvo. A condessa acalma a filha, assegurando-lhe que "os casamentos se fazem no céu".

♥ Entretanto Andrei encontra-se com o amigo Pierre, confessando-lhe os seus sentimentos pela jovem Rostova.
Apesar de viver um sentimento ambíguo, por ter um grande carinho por Natacha, Pierre acaba por apoiar o amigo, incentivando-o a declarar-se publicamente.

"Essa rapariga é um tesouro tão grande, tão... É uma rapariga rara... Querido amigo, peço-lhe, não se ponha com filosofias, com dúvidas, case-se, case-se, case-se... E tenho a certeza de que não haverá homem mais feliz." (p. 510)

Após ter tomado a decisão de se casar, Andrei parte para casa, no sentido de obter o consentimento do seu pai.
Apesar de ouvir o filho com aparente calma, o velho Nikolai Bolkósnki enumera alguns entraves ao enlace, nomeadamente a situação financeira dos Rostov, que já por todos era conhecida, a diferença de idades entre Andrei e Natacha e ainda o facto de Andrei ter um filho 'que era pena entregar a uma rapariguinha'. Tendo por base esta argumentação, o conde Bolkósnki pede a Andrei que adie o casamento por um ano e, se ao fim desse tempo os seus sentimentos se mantiverem, aí sim terá o seu consentimento para casar.

Depois da conversa com o pai, Andrei volta a casa dos Rostov, formalizando o pedido de casamento e comunicando ainda o prazo de espera imposto pelo velho príncipe Bolkónski. Apesar de inicialmente estranharem este pedido de adiamento, os Rostov acabam por dar o seu consentimento.

Entretanto, para passar esse ano de interregno, Andrei resolve retirar-se para umas termas, na Suíça, numa tentativa de melhorar a sua saúde.

♥ Depois disto, acompanhamos Maria – a irmã de Andrei – numa carta que esta escreve à sua amiga Julie Karáguina e na qual lhe revela algumas das suas angústias, nomeadamente em relação à partida do irmão, e à preocupação com a saúde do pai e sobrinho. Nessa carta, Maria também ressalta a importância que, para ela, tem a religião enquanto fonte de força para superar essas agruras.

 "...só a religião nos pode, não digo consolar, mas livrar-nos do desespero" (p. 519)

Para Maria, a religião assume-se como principal conforto e alegria, e ficamos aqui a saber que, secretamente, esta deseja juntar-se à 'gente de Deus' e tornar-se também ela uma peregrina, sendo apenas travada pelo dever de cuidar do pai e do sobrinho.

"Mas depois, ao ver o pai e em especial o pequeno Koko, fraquejava na sua intenção, chorava um pouco e sentia que era uma pecadora: amava o pai e o sobrinho mais do que a Deus" (p. 524)


E foi isto!
Sinto que, nesta parte, esmiucei mais o desenrolar da narrativa, indo mais ao pormenor de cada acontecimento. Tratando-se de um diário de leitura, acho importante registar os diferentes momentos, mas, por outro lado, sinto também que falta expor um pouco as minhas reflexões sobre os acontecimentos narrados. O que vos parece?
Contem-me o que acham e não se esqueçam de deixar o vosso comentário!
Um grande Beijinho e até à próxima!


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