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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Li // O velho e o Mar de Ernest Hemingway

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos do livro O Velho e o Mar de Ernest Hemingway.
Este livro está inserido no  Desafio dos 100 Grandes Clássicos e, uma vez que não faz parte da minha colecção pessoal, pedi-o emprestado á minha irmã. (Merci Sis!)


Contém Spoilers!

O Velho e o Mar’ conta a história de Santiago, um pescador Cubano que, após um período de quase três meses sem pescar, tem a premonição de que a sua sorte vai mudar e resolve ir sozinho par ao alto Mar.

Santiago sempre foi respeitado na sua vila e contava com a ajuda de Manolin, um jovem aprendiz a quem Santiago ensinou, desde muito cedo, a pescar.

No entanto, estar tanto tempo sem pescar começa a ser visto como um mau augúrio e os pais de Manolim proíbem-no de continuar com Santiago, forçando-o a procurar emprego noutro barco de pescas.

Então, na manhã do 85º dia sem pescar Santiago parte sozinho para o alto Mar, movido pela premonição de que a sua ‘maré de azar’ teria terminado e que iria pescar um grande peixe. Além disso, para forçar um pouco a sua mudança de sorte e mudar os seus velhos hábitos, ele decide ir para uma área em que os pescadores não estavam acostumados a pescar.

E não é que, para sua grande surpresa, Santiago pesca realmente um grandioso peixe?

Um espadarte gigantesco que, além da sua grandeza – em tamanho – assombra Santiago com a sua força e acaba por rebocar a canoa e o pescador!

Santiago percebe que não conseguirá puxar com facilidade o peixe e, por isso, terá que o cansar até que este venha à tona para, por fim, poder matá-lo e voltar para casa.

Nisto, o pescador passa vários dias e várias noites lutando contra o seu espadarte. Neste tempo, percebemos as dificuldades com que lida Santiago – a falta de comida, o Sol e o calor, as dores nas mãos e nas costas – e vamos percebendo as suas oscilações de pensamento na luta entre o homem e a natureza, a busca pela sobrevivência e uma constante prova de resistência entre corpo e mente.

No final de alguns dias, Santiago consegue finalmente matar o peixe! No entanto, como se trata de um animal muitíssimo grande, que não cabe na sua canoa, o pescador tem que amarrá-lo junto à canoa, do lado de fora.

Deste modo, o espadarte fica todo o caminho de volta (que é distante) à mercê das criaturas do mar.
Depois de morto, o peixe deixou um rastro de sangue que serviu de atractivo aos tubarões que, ao longo de todo o caminho foram atacando e destruindo o peixe, fazendo com que Santiago regresse à sua aldeia apenas com a carcaça do mesmo.

Esta é, no fundo, uma história sobre perseverança e sobre a capacidade do homem para fazer face aos dramas e ás dificuldades da vida real.

E no fim, fica assim suspenso a ideia: Será que estamos preparados para reconhecer e receber o que de bom surge na nossa vida? E será que estamos preparados para agarrar as oportunidades quando elas surgem?


E foi isto!

Gostaria ainda de salientar que esta obra é narrada em terceira pessoa e não tem separação de capítulos, o que faz do livro um texto único que segue até o final da narrativa. Confesso que este modelo atrapalhou um pouco a minha leitura, essencialmente por não facilitar a realização de pausas.

De forma geral Santiago é uma personagem bem construída, sobretudo psicologicamente e, apesar do livro ser curto, o propósito do mesmo flui e surge naturalmente.

Agora contem-me, já tinham lido este livro? O que acharam?

Espero que tenham gostado do post!
Um grande Beijinho e até à próxima!


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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Li // Mrs. Dalloway de Virgínia Woolf

‘Mrs. Dalloway said she would buy the flowers herself’

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos um pouco do incrível Mrs Dalloway de Virgínia Woolf.
Este livro integra o Desafio dos 100 Grandes Clássicos e comecei a lê-lo no âmbito do Desafio Literário para 2015, como tópico para Janeiro. E não podia ter começado melhor o ano…


A história decore na Londres dos anos 20 – após o término da I Grande Guerra – e começa quando Clarissa Dalloway – esposa de um deputado conservador e mãe de uma jovem de dezassete anos – sai de casa para ir comprar as flores, para a festa que daria nessa noite.

No seu caminho pelas ruas de Londres até à floricultura, Mrs Dalloway vai observando o que se passa à sua volta e vai ocupando a sua mente com diversos pensamentos, entre os quais, memórias do passado e a sua juventude.

No seu percurso, Mrs Dalloway cruza-se com uma série de outras personagens que, gradualmente, nos vão sendo apresentadas.
De entre estas destaca-se Septimus Warren Smith, um veterano da Primeira Guerra Mundial, casado com uma imigrante italiana. Septimus  é um homem com profundas cicatrizes psicológicas e prestes a enlouquecer e que, nessa manhã, acompanhado pela sua esposa, se dirige ao psiquiatra.

O percurso destes personagens vai-nos então sendo narrado a partir das reflexões dos mesmos. Isto é, através de uma técnica de fluxo de consciência, a autora conta a história a partir do pensamento dos personagens: sabemos o pensam e o que sentem, sendo estes pensamentos geralmente questionamentos sobre situações do dia-a-dia, ideias ou mesmo lembranças do passado.
Desta maneira, a narrativa constrói-se sem uma linha temporal fixa, alternando entre o passado e o presente, na qual acedemos ao íntimo das personagens, aos seus sentimentos mais privados, às suas contradições e aflições.

Por meio de uma alternância constante entre o discurso direto,  indireto e  indireto livre – que tornam ímpar o desenvolvimento do fluxo de consciência vamos alternando muitas vezes entre os pensamentos dos diferentes personagem, numa alternância deveras subtil que, por vezes torna difícil perceber que já estamos na mente de outra pessoa.

O enfoque vai então para o que cada um pensa e sente, estando a acção – o que cada um faz – muitas vezes posta para um segundo plano. Por esta razão, essa acção (sair de uma sala ou abrir uma porta) é-nos muitas vezes descrita entre parêntesis, como se de um pormenor apenas de tratasse.


Além de Clarissa e Septimus, somos ainda apresentados a outros personagens – que entram e saem de cena sem aviso prévio e sem marcação que distinga suas falas e suas ideias – conhecendo o ponto de vista de todos eles. Desta maneira, as personagens vão, ao longo da narrativa, adquirindo uma grande consistência, tornando-se credíveis e reais.

Durante os seus preparativos para a festa, Clarissa recebe a visita de Peter Walsh – o seu primeiro amor, preterido por ela e por seu pai em favor de Richard – o Mr. Dalloway – em virtude de sua condição financeira e social.
Peter, regressado da Índia, volta a Londres para falar com seus advogados sobre o seu divórcio e o seu regresso vai despertar em Clarissa memórias o passado, trazendo-lhe à lembrança os sonhos adolescentes, acordando na anfitriã sentimentos contraditórios.

Clarissa repensa nas suas escolhas de vida, nos seus momentos de mais intensa felicidade, no seu casamento com Richard Dalloway, pensa na filha adolescente – Elizabeth, em miudezas da existência e no esplendor da vida, forçando-a a reflectir sobre o tempo presente e sobre o que teria sido de sua vida se, porventura, suas escolhas tivessem sido outras.

Outro interesse romântico de Clarissa que também aparece na festa e a deixa ainda mais confusa é Sally – a completa antítese da protagonista.
Sally teve um papel importante na vida da jovem Clarissa, pois foi das poucas pessoas pobres com quem ela conviveu. Mostrou-lhe que era possível aproveitar a vida sem dinheiro e foi uma mulher que,  pelo seu comportamento livre e espontâneo e pela sua falta de pudor, chocava os outros. Foi uma mulher com quem Clarissa partilhou um amor puro e juvenil na adolescência.

Paralelamente aos preparativos da festa de Clarissa, vamos acompanhando a caminhada de Septimus, nas suas frequentes visitas ao Psiquiatra, as suas alucinações com o seu grande amigo Evans – que morreu na guerra – rumando à recomendação de internamento num hospital psiquiátrico.

É interessante notar que, apesar de Clarissa e Septimus partilharem a mesma cidade, ruas, parques e momentos, nunca, ao longo da narrativa, se falam ou se encontram.

E enquanto Septimus expõe a sua dor ao mundo, Clarissa, por outro lado, esconde o seu silêncio, cobre-o com uma capa de falsa confiança e com festas.

E é assim, entre o passado e o presente, entre os pensamentos de diferentes personagens que vamos avançando na narrativa, e avançando no tempo até ao culminar na festa de Clarissa.
Aliás, esse passar do tempo, é uma referência constante ao longo do livro, marcado pelas batidas do relógio. (Sabiam que o título inicial para o livro seria 'As Horas'?)


Publicado em 1925,  Mrs. Dalloway é considerado por muitos a obra mais importante de Virginia Woolf (1882-1941) e comprovou que acções corriqueiras, quotidianas – como comprar flores –, podem ser tema de grande arte, e que a vida e a morte acompanham todos os momentos da existência humana.

E foi isto!
Agora contem-me, já tinham lido este livro? O que acharam?

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Espero que tenham gostado do post!
Um grande Beijinho e até à próxima!


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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Li // O Leão de Oz de Gregory Maguire

Publicado originalmente a 22 de Setembro de 2014

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje trago-vos mais uma resenha de um livro, desta vez de ‘O Leão de Oz’ de Gregory Maguire.

Este é o terceiro livro da série The Wicked Years, sendo precedido pelos títulos ‘A Bruxa de Oz’ (Wicked) e ‘O Herdeiro de Oz’ (Son of a Witch).


A história começa aquando de uma Guerra Civil em Oz, num momento em que Yackle – uma velha oráculo – se prepara para abraçar a morte, sem sucesso.
Enquanto espera pela sua morte recebe a visita de Brr – um Leão Cobarde – que procura informações sobre o Grimmário – o livro mágico misteriosamente desaparecido.

Em troca dessas informações, Yackle pede a Brr que lhe conte sobre a história da sua vida, para perceber se pode, ou não, confiar nele.

A maior parte da narrativa desenrola-se assim… com Brr vagueando pelas suas lembranças, desde a sua infância até chegar ao momento presente, em que se encontra com Yackle.



Isto seria tudo muito interessante, não fosse a maioria deste conteúdo completamente desnecessário e não correspondesse a cerca de 2/3 do livro.
Além disso Brr é um protagonista sem graça, sem uma história particularmente interessante e que chega a tornar-se chato.

Grande parte da história é arrastada, contando pormenores desnecessários sobre assuntos que nada acrescentam à narrativa, enquanto outras partes, significativamente mais importantes, passam (literalmente) em três páginas.

Como vem referido no próprio livro ‘Na verdade, nada na sua vida valia a pena ser recordado. Cada reviravolta prometera uma recompensa e revelara um fracasso.’

A maior parte deste livro é completamente independente dos volumes anteriores, abrindo-se a excepção já na parte final do livro quando – qual momento de epifania – aparece a Trupe do Relógio do Dragão do Tempo e finalmente nos são dadas algumas informações: Onde pára o Grimmário, porque é que Yackle não consegue morrer e o que aconteceu a Nor.

Não deixam no entanto de existir uma série de pontas soltas, provavelmente a serem resolvidas no quarto e último volume da série – Out of Oz, ainda não traduzido para português.

Em suma, esta leitura demorou muito mais tempo do que inicialmente se fazia prever e dei por mim várias vezes com preguiça de pegar no livro.

O final do livro voou e li (as últimas 100 páginas) praticamente sem dar por isso, daí considerar realmente uma pena o início ser tão sem graça e enfadonho.



Não sei para quando está previsto o lançamento do quarto volume em português mas, irei com certeza querer ler, para dar um término a esta Aventura.

Agora contem-me, já tinham lido este livro? O que acharam?

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Volumes Precedentes: 
❤ A Bruxa de Oz 
O Herdeiro de Oz

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Li // Uma Morte Súbita de J. K. Rowling

Publicado originalmente a 08 de Setembro de 2014

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Quem me conhece, sabe que adoro ler! Apesar de ter épocas em que leio mais e outras em que leio (bem) menos, os livros e a leitura sempre fizeram parte da minha vida e resolvi, por isso, começar a partilhar convosco esta minha paixão.

Assim, resolvi falar um bocadinho no meu mais recente livro terminado – Uma Morte Súbita – de J. K. Rowling.


A história passa-se em Pagford, uma pequena cidade (fictícia) no sul de Inglaterra e começa quando Barry Fairbrother – membro da Assembleia Comunitária e um elemento importante no desenvolvimento cidade – morre subitamente, aos quarenta e poucos anos.

A primeira parte do livro retrata o modo como se foi ‘espalhando a notícia’ da morte de Fairbrother e como os diversos núcleos familiares da cidade foram reagindo à notícia.

Aqui começamos a conhecer algumas das famílias envolvidas na história, e com as quais Barry mantinha algum tipo de relação: Os restantes Fairbrother (obviamente), os Wall, os Mollison, as Bawden, os Weedon, os Price e os Jawanda.

O início pode ser um pouco confuso (afinal, são muitas personagens) mas, ao longo do enredo vai se tornando muito fácil identificar cada um e perceber quem é quem.

Então, a morte de Barry Fairbrother deixa de vago um lugar na Assemlbeia Comunitária (Casual Vacancy – Vaga Casual) e, o lugar vago, torna-se catalisador de uma guerra complexa, onde os segredos dos diversos núcleos familiares vêm ao de cima. Começamos aqui a compreender as relações entre as diferentes personagens, o enredo intensifica-se e percebemos que a cidadezinha idílica não passa, afinal, de aparência.


Uma das coisas que me conquistou no livro foi o facto de os personagens estarem incrivelmente bem construídos e conseguirmos, ao longo do livro, identificar-nos com algumas das emoções sentidas pelos mesmos.

Ao longo do livro vão sendo abordados temas bem actuais como a corrupção, violência doméstica, abuso de drogas e bullying, afastando-nos de vez da ideia de que estamos ‘a ler uma história da autora de Harry Potter’.

O final desenrola-se rapidamente (o que não significa, de modo algum, que tenha sido apressado ou forçado) fazendo-nos querer saber o que acontece e como se resolvem os problemas de cada um. Só posso dizer que é um final tenso, e surpreendente.

Pontos negativos
Um dos aspectos que não apreciei muito neste livro está relacionado com a forma como se retratou a linguagem quer dos adolescentes quer das personagens residentes em Fields (a zona mais pobre da cidade).
O uso recorrente de calão e de contracções nas palavras acabou por me cansar um pouco, talvez por parecer algo forçado e até exagerado.
(Falo-vos, por exemplo, de escrever “Em qu’unidade é qe’ela ‘tá?” em vez de “Em que unidade é que ela está?”)
Ler diálogos inteiros, escritos neste formato, torna-se bastante cansativo (chato até!) e penso não serem relevantes para dar a entender que as personagens usam calão ou uma linguagem mais informal. Um ou outro ‘tá seriam suficientes.
Como não li a versão original, não sei se se trata de uma característica do próprio texto ou se está relacionado com a tradução.
A quem leu a versão original, por favor, esclareçam-me.

E foi isto!
De forma geral gostei deste livro e, como J. K. Rowling referiu, trata-se de ‘um grande romance sobre uma pequena comunidade’.
É um livro que vale a pena ser lido.

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